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sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Meu fenômeno não pode ser apenas objeto de observação, mas é um método científico “para a observação”, em que não se procede por verificações exteriores e superficiais com meios sensórios e instrumentos apenas, mas se usa a consciência do observador, que é elevada a instrumento de pesquisa. Procede-se, aqui, por sintonização entre o psiquismo do observador e o psiquismo diretivo do fenômeno; é necessário, em outros termos, que a alma do observador se dilate e expanda do “exterior” para o “interior” e entre em contato com a substância, o princípio animador do fenômeno e não somente com sua forma externa e com o aspecto exterior de seu desenvolvimento. É o estado de espírito do poeta e do místico, de simpatia por todas as criaturas, de paixão de conhecimento para o bem, de visão estética do artista, não mais vagas, mas dirigidas com exatidão científica no campo das concepções abstratas.

Nestas formas de pensamento, sinto que se di­latam os horizontes novíssimos da ciência do futuro, sinto que nestes conceitos que aqui estou expondo está a semente de uma profunda revolução na orien­tação do pensamento humano, sinto que este assunto é o problema fundamental, o mais importante a que possa dirigir-se hoje a mente humana. Aquém deste estudo, que parece apenas de um caso pessoal, se agi­ta o grave problema do conhecimento humano e dos novos métodos para atingi-lo. Tudo isso demonstra que a verdadeira ciência, a profunda ciência que toca a verdade, só é atingida pelas vias interiores, através de um processo de harmonização da consciência com as leis da vida e com o divino princípio que tudo rege; demonstra que os caminhos do conhecimento não po­dem ser senão os caminhos do bem, que o saber é um equilíbrio de espírito, que a revelação do mistério não se verifica senão quando se alcança a fase de per­feição moral; demonstra que a ciência agnóstica, amo­ral, é a ciência do mal, que se destrói a si mesma, e que é absurdo, portanto, ignorar certos imponderá­veis substanciais e prescindir do fator ético na pesqui­sa; demonstra, finalmente, que a ciência não deve ser senão uma ascensão cultural e espiritual tendente à unificação de tudo — arte, filosofia, religião, saber — em Deus. Porque a lei de evolução é também lei de unificação.

(Pietro Ubaldi, As Noúres: Técnica e Recepção das Correntes de Pensamento)

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segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Uma Nova Mediunidade

(...) Meu caso é bem diferente dos tipos comuns de mediunidade. Não é mediunidade física, de efeitos materiais, que lança mão de centros humanos e subumanos, de caráter barôntico*. Não é mediunidade intelectual inconsciente, em que o médium funciona como simples instrumento e cuja consciência se afasta no momento da recepção. É, porém, mediunidade intelectual consciente no plano superior em que trabalha e para o qual se desloca, na plenitude de suas forças. É, portanto, mediunidade do tipo mais elevado e chego quase a duvidar que em tais níveis possa inda subsistir toda a estrutura da concepção espírita comum, e se a tudo isso se possa chamar ainda mediunidade, porquanto ela coincide e se confunde com o fenômeno da inspiração artística, do êxtase místico, da concepção heróica, da abstração filosófica e científica, fenômenos todos que possuem um fundo comum e que se reduzem, não obstante as diferenças particulares, ao mesmo fenômeno de visão da verdade no absoluto divino (...)

*Neologismo formado de elementos gregos: “baros”, pesado, denso, e “ontos”, ser, entidade. Barôntico: proveniente de espíritos de constituição densa (entidades inferiores) (N. do T.)

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quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Vida de Espírito

O mundo precisa destas firmações de espiritualidade, necessita de quem grite, em tempos de materialismo e egoísmo desenfreados, a grande palavra da alma; de quem dê, em tempos de apatia e indiferença, exemplo de fé vivida; de quem repita, em forma científica e moderna, as grandes verdades esquecidas. E esta é vida, vida de espírito, a mais possante, a mais intensa que se possa imaginar. E se, em lugar de usar os termos vagos das religiões, precisarmos os problemas da alma, analisando-a e anatomizando-a, o haver determinado em pormenores o aspecto de tais fenômenos não poderá senão reforçar os princípios, como atualmente a presença dos aparelhos radiofônicos não permitirá à maioria duvidar da existência das ondas hertzianas.

Aqui prossigo em minha luta pela afirmação do espírito, a única coisa que me tem parecido valorizar uma vida, luta que considero, doravante, como missão.

(Pietro Ubaldi, As Noúres: Técnica e Recepção das Correntes de Pensamento)

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